Terapia Sexual·9 min de leitura

Disfunção Sexual: Tipos, Causas e Como Tratar

Disfunção sexual é qualquer dificuldade persistente que impede ou prejudica a resposta sexual. Entenda os tipos mais comuns, as causas e o que realmente funciona no tratamento.

Fernanda Novello

Fernanda Novello

Psicóloga · CRP 05/38248

Disfunção sexual é um termo amplo que se refere a qualquer dificuldade persistente que interfere na resposta sexual ou no prazer durante a atividade sexual. É mais comum do que a maioria das pessoas imagina — e, na grande maioria dos casos, tem tratamento eficaz.

Segundo um estudo clássico publicado no JAMA com 1.749 mulheres e 1.410 homens, 43% das mulheres e 31% dos homens relataram algum tipo de disfunção sexual. Não é exceção. É uma realidade presente em um terço a quase metade da população adulta.

Tipos de disfunção sexual

O DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) organiza as disfunções sexuais em categorias principais.

Disfunções sexuais femininas

Transtorno do interesse/excitação sexual feminino Ausência ou redução significativa do interesse sexual, pensamentos eróticos, iniciativa ou resposta à estimulação. O que popularmente se chama de "baixa libido" muitas vezes se encaixa aqui.

Transtorno orgásmico feminino Dificuldade acentuada ou ausência de orgasmo, mesmo com estimulação adequada. Pode ser situacional (com parceiro, mas não na masturbação) ou generalizada.

Transtorno de dor gênito-pélvica/penetração Engloba vaginismo (contração involuntária dos músculos vaginais) e dispareunia (dor recorrente durante a penetração). É a disfunção feminina com maior componente de ansiedade antecipatória.

Disfunções sexuais masculinas

Ejaculação precoce Ejaculação que ocorre consistentemente dentro de aproximadamente um minuto após a penetração, antes que o homem deseje. É a disfunção masculina mais comum.

Transtorno erétil Dificuldade persistente de obter ou manter ereção suficiente para a atividade sexual. Quando a causa não é exclusivamente orgânica, a terapia sexual é parte central do tratamento.

Transtorno ejaculatório retardado Dificuldade ou impossibilidade de ejacular durante a atividade sexual com o parceiro, mesmo com estimulação prolongada.

Disfunções de desejo

Transtorno do desejo sexual hipoativo masculino Ausência ou redução de pensamentos, fantasias e desejo por atividade sexual, causando sofrimento ao homem. Menos diagnosticado do que nas mulheres, mas igualmente presente.

Por que as disfunções acontecem

As causas são quase sempre multifatoriais — raramente há uma única explicação.

Fatores orgânicos

  • Alterações hormonais (testosterona, estrogênio, prolactina)
  • Doenças crônicas (diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares)
  • Efeitos colaterais de medicamentos (especialmente antidepressivos ISRS)
  • Alterações neurológicas
  • Menopausa e alterações hormonais pós-parto

Esses fatores devem ser avaliados e tratados com médico especialista (ginecologista, urologista, endocrinologista) antes ou em paralelo à terapia sexual.

Fatores psicológicos

  • Ansiedade de desempenho — o medo de "não funcionar" que, paradoxalmente, garante que não funcione
  • Depressão e ansiedade generalizada
  • Histórico de trauma sexual
  • Imagem corporal negativa
  • Crenças disfuncionais sobre sexo aprendidas na infância ou adolescência

Fatores relacionais

  • Conflitos não resolvidos no relacionamento
  • Falta de comunicação sobre preferências e necessidades
  • Perda de atração ou conexão emocional com o parceiro
  • Dinâmicas de poder disfuncionais

Contexto cultural e religioso

Culpa, vergonha e repressão sexual derivadas de contextos culturais ou religiosos estão na base de muitas disfunções — especialmente nas femininas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de disfunção sexual é clínico — baseado na história contada pelo paciente e, quando relevante, em exames médicos para descartar causas orgânicas.

Para que uma dificuldade sexual seja considerada disfunção, ela precisa:

  1. Ocorrer em aproximadamente 75-100% das ocasiões (não ser episódica)
  2. Persistir por pelo menos 6 meses
  3. Causar sofrimento significativo à pessoa

Dificuldades ocasionais — ligadas ao estresse, ao cansaço ou a um período específico — não se enquadram como disfunção.

Tratamento: o que funciona

O tratamento eficaz da disfunção sexual geralmente combina mais de uma abordagem.

Terapia sexual

É a abordagem central para a maioria das disfunções de causa psicológica ou mista. A terapia sexual trabalha com:

  • Psicoeducação sobre funcionamento sexual e resposta sexual
  • Reestruturação de crenças disfuncionais
  • Técnicas comportamentais, como o protocolo de foco sensorial (Masters & Johnson)
  • Redução da ansiedade de desempenho

Nos casos de disfunção no contexto de relacionamento, sessões de terapia de casal são frequentemente indicadas em paralelo.

Tratamento médico

Medicamentos (como inibidores da PDE-5 para disfunção erétil ou lubrificantes hormonais para dispareunia pós-menopausa), fisioterapia pélvica (especialmente para vaginismo e dispareunia) e ajuste de medicações podem ser parte do tratamento.

Combinação das abordagens

A evidência científica aponta consistentemente que a combinação de tratamento médico + terapia sexual produz resultados superiores a qualquer abordagem isolada, especialmente em disfunções de causa mista.

Quando buscar ajuda

Se a dificuldade sexual está causando sofrimento — para você ou na sua relação — é hora de buscar ajuda. Não é preciso esperar que o problema piore ou que a situação se torne insuportável.

Muitas disfunções respondem bem ao tratamento quando abordadas cedo. O que prolonga o sofrimento é, quase sempre, a vergonha que impede a busca por ajuda.

A terapia sexual não é sobre desempenho. É sobre recuperar uma dimensão da vida que deveria ser fonte de prazer e conexão.


Referências

  • American Psychiatric Association (2022). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed. Text Revision (DSM-5-TR). APA.
  • McCabe, M.P. et al. (2016). Definitions of sexual dysfunctions in women and men. Journal of Sexual Medicine, 13(2).
  • Laumann, E.O. et al. (1999). Sexual dysfunction in the United States. JAMA, 281(6).
  • Basson, R. (2000). The female sexual response: a different model. Journal of Sex & Marital Therapy, 26(1).

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Fernanda Novello é psicóloga com registro CRP 05/38248, especialista em relacionamentos e sexualidade, com mais de 12 anos de experiência e mais de 1.200 casais atendidos. Atende online para todo o Brasil e presencialmente na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

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